A arte é a expressão de uma forma de conceber o mundo marcada por uma determinada linguagem. Cada artista coloca sua maneira de pensar e imprime digitais no próprio trabalho mesmo quando não percebe que isso está ocorrendo. Apresenta assim, em cada pintura, um olhar sobre a vida.
Nascida em Santo André, em 1961, Aparecida Velo transita por várias linguagens com desenvoltura, mas um elemento importante que pode ser cada vez mais aprimorado como estabelecimento de um olhar diferenciado é a presença das linhas como recurso plástico.
Em algumas de suas obras, como numa marinha ou numa pintura que se vale do mote flores, evidencia-se o uso dessa poética. A ligação entre diferentes navios, mastros e cordas que prendem as velas por meio de traços pretos provoca o olhar, assim como caules de plantas mais finos e levemente curvos nos interrogam.
O desafio que se estabelece a cada nova criação é a progressiva busca de oferecer ao observador uma resposta visual especial. Muito mais do que um estilo, a questão essencial é construir, pela pintura, uma voz própria, um falar renovado com frescor, que talvez encontre nos mencionados traços um elemento inspirador.
Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).